Em busca de uma sala de aula global, será esse o futuro da educação?

Já ouviu falar no programa da Khan Academy? O projeto, que tem como foco a educação, foi apresentado no TED de 2011 e tem como objetivo a construção de uma sala de aula global.

Formado em Harvard e no Massachusetts Institute of Technology (MIT), o professor Salman Khan foi quem desenvolveu o site Khan Academy, que disponibiliza vídeos com explicações sobre diversas matérias escolares. A ideia é fazer com que os alunos assistam aos vídeos e acompanhem os exercícios de modo que eles mesmos possam respondê-los sozinhos.

No Brasil, a Fundação Lemann, em parceria com o Instituto Natura e o Instituto Península, está traduzindo os vídeos de Aritmética, Biologia, Química e Física para a nossa língua e levando a ferramenta para as escolas públicas.

Em sua apresentação, Salman Khan afirmou que, hoje, são aproximadamente 2.200 vídeos e que há cerca de um milhão de estudantes assistindo ao conteúdo. Ele enfatizou também que muitos professores estão utilizando as aulas on-line em suas disciplinas. O ápice da utilização do projeto pode ser exemplificado por uma escola em Los Altos, na qual o currículo de matemática em duas turmas de 7ª série foi substituído completamente pelo projeto da Kahn Academy. Em um primeiro momento, o professor entra na sala apenas para observar. Com os vídeos, os estudantes vão aprendendo no seu ritmo e no seu tempo.  Assim, quem é mais rápido tem mais tempo para desenvolver outras atividades, como a criação de robôs, de jogos de mecânica, entre outras.

Mas como monitorar? O programa implantando em Los Altos permite que o professor controle tudo o que os alunos estão fazendo, o que estão assistindo e como é a sua atuação. Com isso, os alunos são mapeados, e gráficos mostram o desempenho de cada por meio de cores: verde para os que conseguiram compreender a matéria, azul para os que estão no caminho e vermelho para quem está com dificuldade. E é o aluno vermelho que o professor irá ajudar.

Será que essa é a educação dos próximos anos? Será que o futuro é incentivar os alunos a serem autodidatas e dar ao professor um papel secundário, de reforço? Hoje, a realidade é o oposto disso: os vídeos a que os alunos costumam assistir são complementos do que é aprendido na sala de aula. Será que a lógica será invertida? O que você pensa disso?

Assista à apresentação de Salman Khan no TED 2011:

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Total liberdade para aprender e ensinar, será esse o futuro?

Na próxima semana, começa um dos maiores eventos na área da tecnologia: o Campus Party. E como centro da discussão, um dos temas do 25º Fórum da Liberdade: a educação.

Um dos debatedores desta ocasião será o professor indiano Sugata Mitra. Ele é conhecido por usar a tecnologia para vencer problemas educacionais e sociais. Mitra é um dos maiores pesquisadores do mundo na área da tecnologia educacional e ficou conhecido pelo projeto Hole in the Wall. O experimento consistiu na colocação de um computador com acesso à internet no buraco de um muro em uma favela de Nova Délhi, na Índia. O resultado foi surpreendente.  Câmeras escondidas mostraram que as crianças que brincavam pela região iniciaram, autonomamente, um processo de aprendizagem sobre como utilizar o equipamento e como navegar na internet; após a experiência, ainda ensinaram outras crianças.

Com base nas ideias do professor, é possível pensar nos caminhos da educação para os próximos 25 anos. Cada vez mais, as crianças estão descobrindo as informações por si mesmas, na internet. Elas aprendem em menos tempo e com mais facilidade, quando comparadas a gerações anteriores. Já falamos aqui nos digital natives, que parecem nascer conectados. Será esse o futuro?

Será que teremos escolas? Será que o ensino a distância prevalecerá? Será que ambos irão coexistir?  E como ficará a questão do professor? É importante pensar também o papel do educador, do mediador, do condutor. Basta apenas o acesso para buscar? Se fosse concedida a liberdade total de aprender e ensinar, cada um por si, como seria?

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Educação de 2037 também é tema do 25º Fórum da Liberdade

Outro assunto que também merece bastante atenção é a educação dos próximos 25 anos. E não apenas a configuração de um ensino fora da sala de aula. É importante debater o conteúdo, as formas, o incentivo e o papel do professor. Obedecer, pensar ou criar?

Esta nova geração, os chamados digital natives, que cresce no meio tecnológico e que parece conhecer apenas o mundo on-line já não dá mais sentido ou razão para o que está fora desse ambiente. Há muitos que acreditam “poder mais” no meio digital. Isso porque é muito fácil responder a uma pergunta quando se tem um buscador que pode responder por você. A resposta está à distância de um clique. No entanto, essa talvez não seja a melhor forma de aprendizado.

Mas, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de mudança, ainda não se sabe exatamente como ela deverá ser. O ensino é hoje um desafio para todas as gerações. Será que já passamos daquela fase em que os alunos apenas copiavam e colavam o que encontravam na internet? Será que os estudantes já aprenderam a pesquisar na rede? Será que sabem onde buscar? Será que sabem o momento de pensarem por si mesmos? Obedecer é respeitar, mas até que ponto ensinar é mandar?

E qual o papel do professor? Certamente, ele não saberá mais que o Google, que o Bing ou o Yahoo. Muito já se falou na posição do profissional de educação como um mediador, como alguém que indica, seleciona, acompanha. Mas será que é só isso?  Até que ponto deixar o aluno mais livre permite que haja mais criatividade para aprender, mais facilidades para criar, mais desafios para pensar?

Deixe aqui sua opinião. Qual a educação que você quer para você mesmo, para seus filhos, netos, sobrinhos, afilhados. Como deve ser a educação de 2037?

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