O país do carnaval

Na próxima semana, teremos um dos eventos brasileiros mais esperados no ano, o carnaval. É o momento em que o País para tudo com o intuito de abrir alas à folia. Feriadão, samba e alegria. Não é assim?

Essa é uma das formas pelas quais o Brasil é visto por muitos países. No entanto, será que é realmente uma identidade brasileira ou apenas um estereótipo imposto pelos outros?

A Itália é conhecida pelo vinho; a Alemanha, pela cerveja; a Suíça, pelos chocolates e queijos; e assim por diante. Mas, por serem conhecidos dessa forma, essas nações investem nos produtos e ganham com isso, com a “fama” de melhores no ramo.

Será que o Brasil não deveria investir mais na festa da folia? Será que, de um estereótipo, não pode surgir um grande investimento? Talvez, se o País assumisse a identidade, pudesse expandir-se no setor, e quem sabe até exportar, para os demais países afora, o país que sabe organizar festas, desfiles, fantasias. Antes disso, porém, precisa assumir a especialização. Se é festeiro, que seja festeiro com qualidade e com experiência para passar adiante. Você concorda?

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Helio Beltrão antecipa discussão do warm up em entrevista ao Fórum da Liberdade

Amanhã, dia 26, teremos a segunda sessão do Ciclo de Cinema, Cultura e Liberdade no StudioClio. O filme escolhido para a apresentação é “Trabalho Interno”, e o convidado para o debate será o fundador do Instituto Millenium e do Instituto Mises Brasil, Helio Beltrão.

Formado em finanças e com MBA pela Columbia University em Nova York –  com distinção Beta Gamma Sigma, Beltrão já atuou em instituições como o Banco Garantia e a Mídia Investimentos (private equity). Também é Membro do conselho de administração da Artesia, da LAB SSJ e da Le Lis Blanc.

Para antecipar o debate, nós conversamos com ele e preparamos uma entrevista especial sobre o tema que será discutido no evento.

FL – O filme que será debatido na sessão de amanhã abordará a crise financeira de 2008, que trouxe sérios danos para a economia mundial. Como você vê o envolvimento do Brasil na crise e quais os resquícios que o País traz dessa situação?
Beltrão – As empresas e os cidadãos brasileiros sofreram relativamente pouco com a crise, por dois fatores primordiais.  Em primeiro lugar, o governo brasileiro foi obrigado, por demanda popular, a fazer ajustes nas contas públicas, na inflação e no balanço de pagamentos a partir de 1995.  Desde então a inflação tem permanecido relativamente baixa, as contas públicas estão sob controle (ainda que ao custo de altíssimos impostos) e o câmbio flutuante tem evitado as crises de balanço de pagamentos.  O resto do mundo, ao contrário, migrou de gestões públicas conservadoras para a gastança e déficits recentemente.  Portanto, no “concurso de feiura” para atrair capitais, o Brasil é um dos “menos feios”, e segue atraindo capital externo, fundamental para o crescimento econômico.

Adicionalmente, o setor financeiro brasileiro é mais conservador e sólido que o dos países desenvolvidos.  Aqui, os gestores e acionistas dos bancos são obrigados a garantir perdas com seu patrimônio pessoal, o que não ocorre nos Estados Unidos, por exemplo.  Ademais, os índices de capitalização são muito maiores, o que significa que, em caso de perdas, os acionistas incorrem em perda, mas a chance de quebra é menor. Finalmente, os juros e os depósitos compulsórios mais altos que no exterior dificultam uma farra de crédito desenfreada e, portanto, dificultam a criação de bolhas artificiais.

As lições que devemos tirar é que não podemos abrir mão desses fatores que contribuíram para essa notável resiliência brasileira.  Estou preocupado, pois a) a inflação brasileira está mais alta (cerca e 6,5%) que a de outros emergentes comparáveis, b) as contas públicas estão sendo mascaradas com truques contábeis, principalmente com créditos criados para benefício do BNDES, onde ocorre o dispêndio, e c) os juros estão sendo reduzidos, exatamente como ocorreu nos países desenvolvidos nos anos anteriores à crise.

FL – Um dos temas do Fórum da Liberdade deste ano tratará sobre o que o Brasil tem a aprender com os outros países. Há quem diga que a crise de 2008 vem se mostrando desde crises anteriores, como a crise asiática de 1997. O que o Brasil pode tomar como lição desde essa época e levar para os próximos 25 anos?

Beltrão – Essa é uma excelente pergunta.  Aqui no Brasil, o setor privado sofreu com crises e pacotes do setor público a cada dois anos durante a década de 1980 e a primeira metade dos anos 1990. A gestão pública era um desastre, e o Banco Central imprimia dinheiro criando superinflação, única forma para que o governo fechasse suas contas.  Sabemos que a má gestão pública foi o principal fator para a nossa década perdida (que na verdade durou 15 anos).

Hoje o mundo desenvolvido está praticando a mesma política de imprimir dinheiro que nós aqui adotamos naquela época.  A estratégia adotada é tentar impedir que a crise se instale por meio da impressão de dinheiro.  Isso passou a ocorrer de forma mais intensa logo após o estouro da bolha da internet em 2000.  Quando a crise maior chegou em 2008, os Bancos Centrais injetaram ainda mais dinheiro novo, para evitar a crise.  A situação, no entanto, não tem melhorado, e as crises ameaçam ocorrer em intervalos cada vez menores, exigindo volumes crescentes de injeção de dinheiro público e comprometendo as finanças dos governos.  Isso não irá acabar bem.

A lição ‒ que os brasileiros aprenderam a duras penas nos anos 1980 ‒ é que não é possível prosperar através da impressão de papel pintado com fotos do Benjamin Franklin (ou da arara azul).  O maior perigo reside no monopólio detido pelo Banco Central do Brasil para a gestão do nosso dinheiro. Esse monopólio tende a ser abusivo, e se estende a um conluio e a interesses comuns com o setor bancário.  Já está na hora de discutir o fim do monopólio do Banco Central, cujo nome já denota a natureza centralizadora de poder, que já se provou ineficaz e prejudicial em várias outras frentes (no dia 2 de fevereiro, ocorrerá, na Fecomércio, em São Paulo, um importante debate sobre o fim do monopólio dos Bancos Centrais, com a presença do economista norte-americano Steve Horwitz, do economista Paulo Rabello de Castro, e eu também serei debatedor).

FL – Outra questão que será debatida na 25ª edição abordará os empreendedores que farão o futuro. Na sua opinião, que empreendedores serão esses? Quem serão os profissionais que farão o Brasil de 2037?

Beltrão – O empreendedor brasileiro é um herói, pois obtém êxito a despeito de todos os absurdos obstáculos que os governos federal, estadual e municipal colocam em sua jornada.  O meu pai dizia que “o Brasil é uma ilha de iniciativa cercada de governo por todos os lados”.  São várias dúzias de impostos e milhares de exigências burocráticas, regulando toda e qualquer forma de produção e de comercialização.  É um regime cartorial que protege as grandes empresas, que podem influenciar as leis e regulamentações em seu favor e em detrimento do pequeno.

O empreendedor brasileiro de sucesso será aquele que, além da monumental capacidade de perceber uma oportunidade de lucro e de executá-la melhor que seus competidores, consiga navegar nesse emaranhado de obstáculos que parecem desenhados para fazê-lo fracassar.

FL – Em 2011, o Brasil atingiu a posição de 6ª maior economia no mundo, ultrapassando o Reino Unido. Como você vê o Brasil hoje no cenário econômico mundial? Você acredita que o País vai continuar crescendo economicamente? De que maneira?

Beltrão – Não vejo essa conquista como algo a celebrar, afinal a estatística vai bem, mas o povo vai mal. O que importa para cada um de nós é o padrão de vida.  Este, em geral, tem melhorado, mas a um ritmo muito aquém do potencial, e permanece muito abaixo do padrão de vida de qualquer país desenvolvido.  O caminho é longo, e passa pelo governo regular e taxar menos, para que o empreendedor possa empreender mais.


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Brasil como 6ª economia mundial: o que isso quer dizer?

Na última semana de dezembro, o jornal britânico The Guardian publicou que o Brasil superou o Reino Unido, ocupando agora a sexta posição entre as maiores economias do mundo. Um dos motivos seria a crise bancária de 2008 e a subsequente recessão no Reino Unido, aliadas ao rápido crescimento das exportações brasileiras, especialmente para a China e para o Extremo Oriente. A informação será confirmada no decorrer de 2012, quando saírem os dados oficiais do PIB; mesmo assim, o indício da mudança na posição é uma questão importante de se analisar.

Segundo o Centro de Pesquisa para Economia e Negócios (CEBR, na sigla em inglês), que realizou a pesquisa, a economia brasileira deverá crescer 2,5% em 2012, após avançar 2,8% no último ano.

A subida de posição surpreende quando vista isoladamente. Todavia, é preciso tomar cuidado. Uma coisa é comparar o PIB per capita (por pessoa) de cada um dos países. Segundo dados publicados no site do Banco Mundial, enquanto o PIB per capita do Reino Unido atingiu os U$ 36,144 em 2010, o Brasil não ultrapassou os U$ 10.710 no mesmo ano. A economia pode ter avançado. Porém quanto à qualidade de vida, como se encontram os brasileiros quando comparados aos demais países e, especialmente, quando comparados à população do Reino Unido?

Outro dado que pode servir como exemplo é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Enquanto o Reino Unido ocupou a 28ª posição em 2011, o Brasil atingiu apenas a 84ª colocação.

Como receber então a notícia de que o Brasil agora é a 6ª economia mundial? Isso não significa que o avanço não seja válido, muito pelo contrário, mas há questões que ainda precisam ser acompanhadas e cobradas para que os índices possam avançar também no que se refere à prosperidade da sociedade brasileira.

O que você pensa disso? Como o país deve agir para que avanços como esse não obscureçam os problemas que ainda temos? De que maneira o Brasil pode e deve investir para que apresente bons resultados também para a população?

 

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