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16/03/2011
Liberdade na Era Digital: é preciso agir para que ela exista!
*Por Claudio Shikida
Vi a internet surgir em meus vinte e poucos anos. Não havia nada igual na época. Vi o surgimento dos blogs e fui um dos primeiros a entrar nesse fascinante mundo. Claro, a liberdade de escrever em blogs tem um preço: publica-se qualquer coisa. Mesmo assim, sempre achei preferível a diversidade na qualidade dos textos do que a ditadura que nos desejam vender como “controle social da mídia”. O mesmo Amartya Sen comemorado pela esquerda cult como uma voz contra a pobreza foi solenemente esquecido nesse debate. Toda sua importante obra sobre preferências sociais e sua ideia de liberdade foram curiosamente ignoradas pelos que o citavam…
Uma vez, vi um assessor de marketing dizer que a liberdade de imprensa só servia aos “donos de jornais”. Será mesmo? Pergunte aos prisioneiros de Cuba ou aos manifestantes no Cairo: quem vive sob uma ditadura percebe muito bem o que é viver sob o monopólio da informação (= “controle social total da mídia”). Alguém dirá que, sem tal controle, haveria apenas “um cartel” de poucos jornais, mas, ainda assim, seria melhor do que uma ditadura. Ademais, se a internet é livre, qualquer um pode fazer suas críticas à má qualidade dos jornais, ao governo, etc.
Veja como Mubarak e Kadafi reagiram inicialmente aos protestos: tentaram impor o “controle social da mídia” bloqueando a internet. Alguém poderia reclamar que estou sendo injusto, porque esse controle sempre vem acompanhado da criação de “comitês”, “sindicatos”, etc., que garantiriam a “democracia do controle”. Contudo, décadas de estudos mostram que a ação coletiva, ou seja, o trabalho dos membros dessas entidades está sujeito ao chamado “controle da agenda”, o que significa que em um grupo, na maioria das vezes, o controle acaba imposto pelas preferências de poucos que impõem seus interesses sobre os demais.
Foi interessante ver os defensores de tais controles se calarem quando dos espancamentos de jornalistas no Cairo. Os repetidos estupros da jornalista da CNN foram a gota d´água, mas, lembre-se, os autoritários não adormecem, eles apenas se recolhem estrategicamente para voltarem quando lhes for conveniente. Não será um estupro de um indivíduo que impedirá que “as necessidades de muitos (definidas por eles, claro) se sobreponham às do indivíduo (você, leitor)”.
*Professor e pesquisador de Economia do Ibmec
As opiniões do autor não necessariamente refletem as opiniões do Ibmec







