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O poder dos políticos e a corrupção 

Amanda Cecere de Oliveira | Empresária, engenheira e associada do IEE

Manobras e leis que protejam aqueles que as definem nunca foi novidade em nosso país. E que os governantes, com raras exceções, trabalham visando seus interesses e o poder também não. A comoção popular, externada por meio de muitas manifestações, quis dar um basta na impunidade. Eis que vivemos um momento histórico com o avançar das investigações na operação “Lava Jato”, e até mesmo com prisões de nomes de relevância no cenário político, como a do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, suspeito de montar organização criminosa para arrecadar propina.

Dentro de todo esse contexto, vale a reflexão sobre qual deveria ser o real papel do Estado e seus governantes. Todo o dinheiro roubado, o gerenciamento em prol de interesses políticos e esquemas de propina teriam ocorrido se a gestão das estatais fosse privada? Se as estradas e obras de infraestrutura não fossem geridas pelo Estado, será que as obras custariam tanto e teriam qualidade duvidosa? Até quando continuaremos com essa cultura do Estado provedor?

Essa cultura política instaurada em nosso país de que o Estado resolverá todos os nossos problemas, sejam eles sociais, sejam econômicos, sejam políticos, está enraizada, mesmo que vivamos uma fase na qual a sociedade como um todo não confia nos que governam. Isso cria um paradoxo interessante, porém, o que está equivocado é os brasileiros pensarem que um governo pode decidir, tolhendo suas liberdades individuais.O povo clama pelo fim da corrupção, mas não percebe que, se não mudar essa cultura intervencionista, nada mudará. É preciso limitar as atribuições do governo e dos que o governam, tanto diminuindo seu poder político como reduzindo seu tamanho financeiramente. Enquanto todo o poder estiver centralizado na mão daqueles que governam, a corrupção de forma desenfreada continuará.

Uma solução, que é muito malvista pela mesma população que repudia a corrupção, é a privatização! Diminuir o Estado, deixar a economia livre, destruir o monopólio das estatais melhoraria diretamente a vida da população, com a entrada de novos concorrentes, por exemplo, movimentando a economia e gerando empregos até mesmo com a melhora do serviço. E o melhor de tudo, reduziria o poder dos políticos que ocupam e usufruem do Estado para roubar dos caixas das empresas por eles geridas e para tirar propina por licitações fraudulentas e superfaturadas. Fica nítido que a redução do poder do Estado está diretamente relacionada com a redução da corrupção, e ao mesmo tempo relacionada ao crescimento econômico, pois há diminuição do intervencionismo estatal.