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O capitalismo liberta

Marcel Laste,  Associado do IEE

Vivemos na melhor época da humanidade, a era do capitalismo. Nunca antes foi tão verdadeira a frase de Ayn Rand de que “todo homem constrói o seu mundo a sua imagem e semelhança”. Desde os primórdios, esse é o primeiro sistema econômico que colocou o trabalho produtivo do indivíduo, ou seja, a sua capacidade de ser útil a outrem, como o epicentro das virtudes, criando assim a meritocracia, e em consequência disso, os incentivos para uma prosperidade sem par na história.

Com base nesse princípio, surgiram as grandes inovações que beneficiaram e beneficiam bilhões de pessoas em todo o globo. Desde Henry Ford, que, por meio da sua linha de montagem fabril, criou o primeiro carro produzido em massa, e para as massas, passando pelo advento do computador e da internet, que simplesmente conectaram o mundo, ou pelo Google, que está organizando todo o conhecimento da humanidade, até um WhatsApp, que permite a comunicação com qualquer pessoa com acesso à um smartphone na Terra, o capitalismo estava lá, como a fundação da grande construção moral da humanidade, o trabalho.

O capitalismo é o único sistema que permite a mobilidade social com base no mérito do indivíduo, que, por meio da sua capacidade intelectual e do seu trabalho, alicerçado nos princípios de liberdade, na propriedade privada e no Estado de Direito, vê permitida a sua ascensão, desde que sirva, de uma forma melhor e/ou mais barata, aos interesses de quem manda em todo esse sistema, o consumidor.

Muito embora seja evidente a relação de causa e efeito, em que a agregação de valor do trabalho de um indivíduo à sociedade eja proporcional a sua recompensa, é possível encontrar na mentalidade vigente no Brasil um grande pré-conceito com as pessoas que realmente são úteis à sociedade, o que por si só é um contrassenso. Quando deveriam ser celebradas como heróis que geram empregos e renda, sob grande risco e incerteza de retorno pessoal – para não falar de um Estado que é sócio somente nos lucros –, são tidos como opressores e egoístas, justamente por colherem os frutos da sua utilidade.

Existem pelo menos dois argumentos que demonstram, nesse sentido, a falência moral da nossa sociedade. O primeiro é o vitimismo puro e simples dos incapazes de produzir algo realmente útil, colocando a culpa em uma tal de falta de “igualdade de oportunidades”. O que nos leva ao segundo argumento, a suposta desigualdade social, que é o argumento dos tolos, pois não compreendem que toda a natureza é desigual, e que, mesmo que pudéssemos “resetar” todo o sistema econômico com essa igualdade utópica, em pouco tempo a prosperidade voltaria para os mais capazes, posto que a riqueza não perdura quando se afasta de sua fonte originadora.

Além disso, é justo que aqueles que geram valor para a sociedade colham os louros na medida da sua contribuição. Já que, como exemplo, para que um grande empresário tenha uma renda alta, ele deverá, obrigatoriamente, ter criado centenas de empregos diretos e indiretos, talvez milhares, que trarão bem-estar social para inúmeras famílias, além de deixar em seu rastro produtos e serviços indispensáveis para o nosso dia a dia, a preços justos. Às vezes até mesmo de graça.

Por fim, é inegável que o sistema capitalista é o responsável direto por uma explosão de prosperidade e qualidade de vida sem precedentes, impensável em tempos idos. Qualquer pensamento ou ação em oposição a esse sistema é como erguer templos aos vícios, aos pré-conceitos e aos erros, comprometendo os incentivos à ação dos que realmente podem elevar o nível de bem-estar da humanidade. E assim sendo, é possível afirmar, sem ressalvas, que somente o capitalismo liberta.