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Lucro para todos

Laura Cimenti,  Administradora e Associada do IEE

Lucros. Empresários. Capitalismo. Essas palavras muitas vezes revoltam parte da população brasileira. Percebemos diversos cidadãos acreditando cegamente na “teoria da exploração”, defendida por Karl Marx, que afirma que os lucros se tratam de uma dedução injusta do que deveria ser, naturalmente e por direito, o salário do trabalhador. A ideia, o esforço, o investimento, a meritocracia e os riscos do empresário são desconsiderados. Parece absurdo, mas infelizmente o pensamento existe.

Essa visão distorcida, além de gerar desconforto nas relações, faz com que os funcionários lutem por interesses políticos que vão contra o sucesso de seus patrões – o que possivelmente poderia lhes abrir caminhos e oportunidades. Muitas vezes ouvimos frases como “eu não vou votar no político X, porque ele é a favor do empresariado”. O que muitas pessoas não percebem é o quanto a vida delas é e pode ser melhor com os incentivos e a evolução do empreendedorismo. Quanto mais empresas são criadas e mais elas lucram, maiores são os números de empregos e as capacidades das companhias de investimentos nos próprios colaboradores.

Ainda pior do que ver esses cidadãos indo de encontro aos ideais empreendedores é ter a obrigação de pagar os salários de políticos que vão por esse caminho. Assistir-lhes criando leis que burocratizam e dificultam o nascimento e a prosperidade de empresas é muito desmotivante. Mais uma vez, são as empresas que geram novos empregos, que geram inovação, criando novas possibilidades de produtos e serviços, opções de escolha e qualidade de vida para a população.

Segundo Leandro Narloch, no livro “Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira”, o lucro tornou o Brasil um lugar melhor. O autor apresenta um quadro mostrando os alimentos que um cozinheiro poderia comprar com o seu salário em 1888 e em 2015. A diferença é brutal. Narloch fala também no preço de um celular na época em que foi criado e hoje em dia. Essa evolução foi possível graças às pessoas que empreenderam, que, correndo riscos, criaram novas ofertas de produtos e serviços.

Recentemente presenciamos no Brasil a entrada da Uber, que gerou polêmicas e rebeliões. A empresa chegou oferecendo um serviço melhor por um preço mais baixo. Ao invés de incentivar a iniciativa, o foco de muitas pessoas e políticos foi o de buscar problemas e tentar barrar o que estava sendo fonte de renda e transporte de diversos cidadãos. Ainda bem que – a princípio – a liberdade venceu, e o Uber está aí, revolucionando o mercado e trazendo uma ótima opção de mobilidade.

O empreendedorismo pode mover o Brasil e qualquer lugar do mundo. É a ambição pelo lucro que gera riqueza. Já dizia Adam Smith que as pessoas cooperam entre si porque podem obter recompensas e vantagens com isso. O grande pensador afirma que “não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele tem pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter”. E isso é a mais pura verdade. O empreendedorismo e os ganhos devem ser admirados e incentivados. Isso com certeza gerará lucros para toda a sociedade.