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Devemos nos preocupar com nosso futuro… E muito!

Rodrigo Paim,  publicitário e Associado do IEE

O Brasil está passando por um momento delicado em sua história: a economia se recupera lentamente de anos de incertezas e índices mascarados; a crise política gera insegurança e não promove esperança na população no curto e médio prazo; o sistema trabalhista é ultrapassado e não tem nenhuma consideração com o responsável por gerar empregos (empresário); cidades apresentam índices recordes em homicídio e insegurança; e, talvez o mais preocupante, o somatório de todos esses aspectos que estão gerando êxodo intelectual, há diminuição nos investimentos provindos do exterior e falta de esperança em todos os brasileiros.

O que poucos consideram é o quanto esse cenário pode arruinar o país em um horizonte temporal de 10-15 anos. Tivemos recentemente um governo populista que dividiu o país em dois polos e disseminou uma cultura de raiva entre trabalhadores e empregadores. Graças a isso, hoje temos uma população crente de que o assistencialismo é o caminho para um futuro melhor e autossustentável. Cada vez menos os brasileiros, que sempre tiveram fama de povo lutador e trabalhador, estão querendo realmente buscar o seu melhor e lutar contra um mundo ficcional criado por uma doutrina pró-Estado. Mantendo isso, estaremos fadados à mediocridade e, posteriormente, ao insucesso por completo. Com um cenário desses, os empreendedores, que são os principais responsáveis pelo futuro da economia do nosso país, não terão espaço para continuar seus esforços no Brasil.

Comparando essa realidade com a da região do Vale do Silício, nos Estados Unidos, por exemplo, fica nítida a contribuição econômica dos empreendedores da região californiana para o desenvolvimento local e do país nos últimos anos. Lá a luta contra a desburocratização e reinvenção das leis teve suma importância e, atualmente, é constante. Enquanto lá estão sendo discutidas leis sobre os carros autônomos e robôs, aqui no Brasil permanecemos com dificuldades em algo muito mais básico: nosso sistema trabalhista, por exemplo. Com leis atrasadas como as nossas, o avanço de startups disruptivas e exponenciais, como as que surgem frequentemente na região do Vale, torna-se muito difícil. As ideias são atravancadas por uma série de leis antigas e por um Estado lento e burocrático que cria um universo nada favorável para o empreendedor.

Muito peculiar – e preocupante – é o que se torna necessário para combater essas barreiras e leis: o conhecido “jeitinho brasileiro”. É inadmissível que a grande maioria dos empreendedores brasileiros trabalhe informalmente, já que seguir os padrões da nossa legislação – que são ultrapassados e praticamente impossíveis de ser cumpridos – não lhes permite atingir o retorno e sucesso por completo. Surpreendente também é saber que a grande maioria dos empreendedores e trabalhadores informais são exatamente pessoas de classes mais baixas. Estas estão tentando vencer o Estado para sobreviver. Ironicamente, em afirmações de políticos que defendem o tamanho e poder do Estado, escuta-se exatamente o contrário: que medidas de anulação de leis e simplificação de processos só favoreceriam uma parcela muito pequena e rica da população. Talvez esses políticos não tenham conhecimento de que esse número de trabalhadores informais já ultrapassou 1,5 milhão de pessoas no ano de 2015 (segundo o portal de notícias G1). Tal número só tende a aumentar junto com o crescimento do nível de desemprego do país. Visto isso, fica o questionamento: será mesmo que essas medidas são em prol de apenas uma parcela da população? Será mesmo que a política assistencialista e estatista que o Brasil prega nos últimos anos realmente protege a classe trabalhadora de forma sustentável?

O brasileiro precisa entender que, depois de experienciar diversos anos vivendo de forma maquiada e inflacionada, agora precisamos sair desse mundo fantasioso e encarar a realidade. O assistencialismo demasiado provocou dependência absurda do povo em relação ao Estado. Precisamos entender que a chave para a prosperidade geral é a liberdade individual e o Estado mínimo. Apenas com liberdade é possível voltarmos a crescer de forma sustentável e sermos competitivos internacionalmente em relação a qualidade de vida, desenvolvimento econômico, saúde, educação e, principalmente, segurança.