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Controle de estoque ineficiente vs. Watson

Gustavo Hüning, microcirurgião de retina e vítreo e Associado do IEE

No meio do mês de agosto, ocorreu, em São Paulo, o “Summit Saúde Brasil 2017”, organizado pelo jornal Estado de S. Paulo. Grandes nomes do cenário político e científico nacional e internacional apresentaram revezadamente os mais diferentes assuntos relacionados a saúde. Discutiu-se desde a aplicação de inteligência artificial até modelos de remuneração e gestão.

Um dos dados que vieram à tona no evento, e chamou muito a atenção, foi o que apontou que atualmente 20% dos medicamentos do mundo são descartados em consequência de má gestão – o que leva a uma perda estimada de 50 bilhões de dólares anualmente. Trazendo para uma realidade mais próxima, podemos citar os dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), que publicou documento em que se aponta que, somente em 2014, Porto Alegre perdeu R$ 508 mil reais devido a remédios vencidos – que, obviamente, tiveram de ser rejeitados. Por outro lado, há medicamentos que levam quase meio ano para serem obtidos pelos porto-alegrenses.

Esse é mais um exemplo de ineficiência na gestão pública. Enquanto, por falta de um simples gerenciador eletrônico de estoques, perdemos medicamentos que poderiam estar atendendo à população, já existem programas sofisticados que vão na contramão dessa via. Em 2011 o computador Watson, da IBM, ficou famoso por vencer rivais humanos no programa de TV Jeopardy, de perguntas e respostas. Desde então, sua inteligência artificial vem sendo utilizada nos mais diversos campos, entre eles a oncologia.

Após aprender a interpretar a linguagem humana, o supercomputador levou uma semana para ler toda a literatura médica. Com o auxílio de especialistas, ele levou mais quatro anos para aprender a lidar com três tipos de câncer. Atualmente, o Watson já auxilia no diagnóstico e tratamento de 18 tipos de câncer e tem armazenado na memória 30 milhões de imagens. Engana-se quem pensa que essa realidade está longe de nós. Já existem mais de 100 instituições de saúde no Brasil (sim, uma centena no Brasil!) utilizando o auxílio da mais avançada tecnologia para melhorar a vida das pessoas.

A plataforma da IBM está aberta a todos os tipos de projeto, visto que nessa troca o próprio programa aprende coisas novas, e o proponente tem uma estrutura para desenvolver suas ideias. Sugere-se, portanto, ao poder público que olhe com mais atenção para as PPPs (parcerias público-privadas), principalmente no que tange à gestão. Afinal, como já previu Murray Rothbard, “A oferta gratuita de um bem ou serviço subsidia apenas uma parte da população à custa dos contribuintes que não o utilizam, como também faz com que recursos sejam alocados erroneamente, fazendo com que os bens e serviços não sejam ofertados naquelas áreas que mais necessitam deles”.