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Fórum da Liberdade Insights

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Aprendendo a aprender

Marcel Laste | Empresário e associado do IEE

 

 

Segundo o provérbio chinês, “os sábios aprendem com os erros dos outros, os inteligentes com os próprios erros, e os tolos não aprendem nunca”.  A partir de uma breve análise da situação política atual, é possível entender que os nossos mandatários não são sábios, porque insistiram em tentar aplicar por aqui o que não deu certo em lugar algum do planeta, o socialismo; não são inteligentes, porque continuam cometendo os mesmos erros de sempre, e pior que isso, mudaram mesmo depois de terem acertado; e são tolos, porque não aprendem – ou não querem aprender – nunca, com o agravante de não terem sequer escutado a voz ensurdecedora das ruas, no que se tornou as maiores manifestações contra um governo da história.

No entanto, há um fato extremamente benéfico na crise criada pelos governos petistas e suas ideias equivocadas: ela não poderia ser mais didática para a conscientização política do país. Observe as pessoas de sua convivência e irá notar que invariavelmente elas estão mais interessadas na política, seja pela indignação com os descalabros perpetrados pelos seus representantes, para não parecerem ignorantes no principal assunto comentado em uma roda de amigos, seja porque a crise simplesmente chegou ao seu bolso.

A fim de ilustrar a criação da crise – sim, ela não “aconteceu”, foi criada por ideias equivocadas adotadas sistematicamente – e a consequente e traumatizante conscientização dos brasileiros, vejamos como os nossos mandatários agiram com maestria. Ao internalizar as piores práticas possíveis, acabaram com o que estava funcionando e negaram e mentiram sobre os fatos, até a chegada do desastre.

O governo petista não foi sábio. Fosse o Brasil um país administrado como uma empresa privada, definitivamente os benchmarks (modelos de gestão) não seriam os mesmos adotados pela gestão petista. Basicamente, um executivo de uma empresa, com recursos escassos para atingir os objetivos, invariavelmente iria notar que existe uma correlação direta entre o grau de liberdade do país e a sua competitividade – e consequente prosperidade –, copiando e adaptando para nossa cultura os modelos que deram certo em outros países, aumentando assim exponencialmente as suas chances de sucesso.

No entanto, na política, a visão dos políticos é limitada ao prazo da próxima eleição, sem jamais cometer o erro grosseiro – eleitoralmente falando – de tomar medidas efetivas para resolver determinado assunto, mas que sejam impopulares. No caso das gestões petistas, elas não só ignoraram os modelos mais eficientes e eficazes do mundo, como também tentaram adaptar e implantar o socialismo – que comprovadamente nunca funcionou, causando verdadeiros desastres por onde o tentaram implantar –, em uma variação caricata tupiniquim, o bolivarianismo, que, se não fosse interrompido a tempo pelas manifestações populares, talvez pudesse nos levar a seguir o caminho dos grandes exemplos de “democracia” que a esquerda tanto admira, como a falecida URSS, Cuba, Venezuela e Coreia do Norte.

O governo petista não aprendeu com os próprios erros.  O Brasil sofreu com uma inflação galopante desde o regime militar, passou desde 1986 por sete planos diferentes para combatê-la (sem êxito), até que uma equipe de iluminados desenvolveu o Plano Real, alicerçado no tripé macroeconômico, baseado nas metas de inflação, metas fiscais e câmbio flutuante. Os governos Lula I e II aproveitaram-se das benesses dessa estabilidade macroeconômica proporcionada pelo plano de seu antecessor e ainda tiveram a sorte de surfar a onda das commodities causada pela rápida expansão da economia chinesa, que beneficiou enormemente as exportações da sua contraparte brasileira.

Mesmo assim, o Plano Real foi chamado de “herança maldita” por Lula, e logo a sua apadrinhada e sucessora iria criar a “nova matriz econômica”, que, além de desmantelar o que estava funcionando formidavelmente bem, adotou o keynesianismo e tornou o intervencionismo e os estímulos estatais a regra do jogo, realizando a façanha de levar o Brasil do status de aspirante a país desenvolvido diretamente para a maior recessão nos últimos cem anos.

O governo não aprendeu nada. Em que pesem as crescentes manifestações desde março de 2015, até a maior já realizada na história, com mais de 6 milhões de pessoas indo às ruas para pedir o fim do governo mais corrupto e ineficiente da história, os governos petistas insistiam em responsabilizar o longínquo governo FHC pela crise que tomou conta do país, muito embora estivesse no poder havia 13 anos – o que é temporalmente mais que o terceiro Reich de Hitler. Inclusive atualmente, quando a presidente se encontra afastada, ela continua a colocar a culpa nos outros sobre a crise que ela própria criou, utilizando-se de uma narrativa de crise global da qual até seu epicentro já se recuperou, e nos seus adversários, entre os quais atualmente se somam mais de 90% da população, muitos dos quais entre os 11 milhões de desempregados.

Face ao exposto no texto, é possível entender por que os recentes governos, dirigidos por “tolos que não aprendem nunca”, causaram a maior crise da história da República. Mas ainda mais importante do que isso é que aprendamos a lição, admitindo nossos próprios erros – afinal, fomos nós que os elegemos –, e nos conscientizemos para cobrar do atual governo de transição as medidas necessárias para colocar o país no rumo do desenvolvimento.

Como disse Milton Friedman, “quando a crise ocorre, as ações dependem das ideias predominantes”. Por isso, depende de todos nós as propagarmos e as deixarmos disponíveis, para que, nas próximas eleições, seja tão evidente aos candidatos que o caminho para a prosperidade da nação é a liberdade, que se torne inevitável que se pautem por essas ideias que tanto contribuíram para os países que foram sábios e que aprenderam com os seus erros e os dos outros.